domingo, 19 de agosto de 2012
Mary e Max (Mary and Max) 2009
Não sou muito de assistir animações, mas concordo que as vezes há algumas que nos surpreende tanto, que passa a fazer parte da lista de melhores filme. Com Mary e Max não foi diferente. Procurando filmes pra ver na lista top 250 do IMDB encontrei essa animação que não conhecia até então.
Baseando-se em uma história real, o diretor australiano Adam Elliot dá vida, em stop motion, a história de dois amigos que se correspondem por carta. Mas não se engane, apesar de parecer um animação fofa para crianças, Mary e Max trata quase exclusivamente de conflitos adultos, relações problemáticas, necessidade de amor e o quanto o mundo é estranho. Mas nem tudo é drama, o filme tem ótimas cenas cômicas, situações engraçadas, irônicas do dia a dia e um pouco de humor negro, pra quebrar a tensão.
Ela uma garotinha feia e triste de 8 anos que mora no subúrbio de Melbourne, tem o pai ausente e a mãe alcoólatra. Ele um judeu de 44 anos, obeso, solitário, mora em Nova York e com portador da Síndrome de Asperger. Em um acaso do destino passam a se corresponderem. O cenário do filme é muito rico, e bem trabalhado. Os personagens que são meio caricatos, propositalmente, talvez pra exemplificar que as pessoas não são perfeitas.
O filme lembra em alguns momentos O fabuloso destino de Amélie Poulain, seja nas relações, simplicidade dos diálogos e a sempre presente narração. Assim como no filme de Jean Pierre Jeunet, no filme predomina-se apenas duas cores, porem de uma forma mais triste. Cinza de Nova York e o Marron da Austrália, com pequenos detalhes em cores. Há outras referencias que podemos ver como Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo dentre outras.
E apesar de ser um filme de massinha, os personagens conseguem passar toda a emoção, acredito que até mais que se o filme fosse com pessoas reais, e como o próprio personagem define: "A vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras, têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro."
domingo, 29 de julho de 2012
Enter Nowhere (Enter Nowhere) 2011
Uma cabana abandonada na floresta onde chegam três estranhos, Samantha, Tom e Jody.
Procurando por ajuda e tendo que lidar com o frio, a fome e os conflitos que vão surgindo.
Parece até um pouco clichê, mas vamos acompanhando os minutos iniciais do filme, onde os personagens vão sendo apresentados, com ótimos dialogos e um suspense que cresce cada vez mais.
E a medida que algumas dúvidas vão sendo respondidas, vão surgindo muitas outras que vão ligando os personagens até que tudo começa a fazer sentido.
Não dá pra contar sem estragar a história, mas achei um ótimo filme de suspense, com boa amarração da trama e um desenrolar bem interessante.
Só acredito que o filme deveria ter terminado, quando devia ter terminado. Filme de estreia do diretor Jack Heller e que conta com Sara Paxton, ja conhecida de alguns filmes e seriados.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
A conspiração da lâmpada (The Light Bulb Conspiracy) 2010
A conspiração da lâmpada ou Pirâmides de Lixo, como o próprio filme se identifica, é um documentário de 2010 que trata da obsolescência planejada.
E apesar do termo ser talvez estranho pra muita gente, certamente você já conhecia, apenas não sabia o nome.
Sabemos que todo produto tem uma vida útil definida, isso acontece por causa do desgaste natural de peças e componentes, isso é natural. Mas e se as empresas pudessem reduzir a vida útil desses produtos, afim de estimular o consumismo?
Obsolescência planejada é uma pratica criada por engenheiros e designers de produtos, que faz com que determinado produto tenha uma vida útil reduzida, assim forçando a substituição por outro produto novo o mais rápido possível.
Vamos acompanhando no filme algumas situações e exemplos, desde um simples, como a lampada, que poderia durar milhares de horas e como um cartel formado definiu um padrão de horas, até a gigante Apple com seus inúmeros lançamentos de novos produtos a cada ano, justamente essa que se diz uma empresa jovem e a favor da sustentabilidade.
Claro que isso gera montanhas de problemas: como aumento do consumismo, ônus para o cliente, toneladas de lixo eletrônico que vão parar em países pobres, que acabam sendo a lixeira do mundo.
Em tempos de Rio+20, foi mostrado no evento, que humanidade já está consumindo 30% a mais do que o planeta é capaz de repor e é preciso que haja uma redução em até 40% as emissões de gases de efeito estufa para que a temperatura não suba mais do que 2º C.
Porem nem tudo é ruim, uma comunidade chamada iFixit tem como lema que todas as pessoas devem aprender como funcionam seus aparelhos, e disponibilizam manuais de reparo para pequenos e simples problemas, e atire a primeira impressora aquele que nunca teve um aparelho que após um defeito, teve que ser susbstituido por um novo. E claro que alem do iFixit, há também hoje diversas comunidades que ajudam e muito nessa hora.
O filme foi dirigido pela diretora espanhola Cosima Dannoritzer, que usa o mesmo celular há 13 anos e diz: “Nós não queremos um computador com 20 anos de idade,mas a vida útil dos produtos está se tornando mais curta e não dá para atualizar nada sem jogar o objeto inteiro no lixo”
sexta-feira, 6 de julho de 2012
5 filmes de Mario Monicelli
Bom pessoal, estive de férias por uns dias e por isso não andei assistindo filmes, o que fez com que não publicasse nada nesse período.
Porem, escrevi um post com uma seleção de dirigidos pelo cineasta Mario Monicelli publicado no blog Little Italy que vocês pode conferir no link
5 filmes de Mario Monicelli
E na próxima semana volto com mais posts. =)
Porem, escrevi um post com uma seleção de dirigidos pelo cineasta Mario Monicelli publicado no blog Little Italy que vocês pode conferir no link
5 filmes de Mario Monicelli
E na próxima semana volto com mais posts. =)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
3 idiotas (3 Idiots) 2009
Antigamente a cidade de Mumbai
na Índia se chamava Bombaim, justamente ali começava a prosperar a indústria de
cinema daquele país. Com o tempo fizeram uma associação com a cidade
cinematográfica americana Hollywood, nascendo assim Bollywood, a indústria
Indiana de filme que mais produz filmes no mundo. E vez ou outra nos
surpreende com algo verdadeiramente bom, como é o caso de 3 idiotas, filme
que foi um dos maiores sucesso das bilheterias da Índia.
Temos aqui uma ótima comédia, com
pouco de drama, suspense e romance que nos apresenta 3 alunos sonhadores que
ingressam em uma faculdade de Engenharia, muito renomada e bem difícil de
entrar e com o tempo se tornam amigos. Cada um deles com uma história de vida
bem diferente do outro, que vão sendo apresentadas através de flashbacks. Um
dos alunos, Rancho começa a criticar a forma de ensinar, mostrando que
aprender é diferente de decorar. Outra dura crítica mostra a falta de liberdade
dos alunos em escolher uma carreira própria, onde homens devem ser engenheiros
e mulheres médicas para serem bem sucedidos e o alto número de suicídios entre
os alunos.
Claro que como todo filme indiano
tem algumas característica como, em determinado momento, todos começam a
dançar felizes e a longa duração que chega a quase 3 horas, mas que em nenhum
momento se torna chato ou cansativo.
O filme faturou 16 dos 27
prêmios do Internacional Indian Film Awards 2010, fazendo também grande sucesso
no festival de Cannes daquele ano, no entanto nada disso foi suficiente para
que o filme chegasse as terras tupiniquins.
Mas se quiserem conferir e conhecer
mais do cinema de Bollywood em melhor estilo, é só procurar na internet.
Eu encontrei o filme facilmente.
domingo, 13 de maio de 2012
Casamento Silencioso (Nunta Muta) 2008
Percebi que os filmes romenos que venho assistindo tem algo em comum, que é fazer críticas sobre o seu país. Há uns anos atrás falei aqui no blog sobre o também romeno 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias. A crítica agora em Casamento Silencioso é em torno do reflexo do comunismo, que esteve na Roménia do fim dos anos 40 até a queda do muro de Berlim. Filme de estreia do diretor Horatiu Malaele, que já atuou como ator em diversos filmes.
Uma equipe de reportagem chega a um vilarejo isolado para fazer uma reportagem sobre fenômenos estranhos, nessa vila vive somente mulheres e um único homem, o prefeito, que então começa a contar os acontecimentos. Assim entramos em um flashback que conta a verdadeira história do filme. Voltamos ao ano de 1953, onde a Roménia estava em seu auge do comunismo russo, situação que não era bem vista pelos alegres e barulhentos camponeses (e as vezes bebados). Chega então a noticia da morte de Stalin (em 5 de março desse ano, após um derrame), assim o governo decreta luto oficial. Vamos assistindo em seguida a preparação de um casamento silencioso. Assim como as comédias Italianas de Monicelli e Felini, temos aqui uma comédia dramática, que ao mesmo tempo que diverte, denuncia e faz uma crítica rica e criativa aos abusos do regime bolchevista soviético. Destaque também para a fotografia do filme com belas cenas, e ótimos diálogos, ou melhor, a falta deles.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Um conto Chinês (Un Cuento Chino) 2011
Aqui estou eu, mais uma vez
voltando a escrever no blog. E prometo mais uma vez ser fiel, escrevendo toda
semana, afinal tenho visto muitos filmes bons e dá essa vontade compartilhar
com alguém ai fora.
É incrível como até fazendo um papel de um rabugento, metódico e chato, Ricardo Darin consegue ser tão carismático.
O mala em questão é Roberto, um veterano de guerra que vive solitário, tem uma loja de ferragens, do tipo que conta os pregos da caixa e que coleciona manias, e que por um acaso do destino é obrigado a conviver com um chinês, Jun, que não fala uma palavra de espanhol e vem quebrar a rotina do protagonista.
Bom, até aqui nada de mais, só que a genialidade do filme é extrair uma trama complexa, divertida e fazer com que criemos uma grande conexão com os personagens, a partir de uma idéia tão simples, coisa que o cinema argentino consegue fazer muito bem. Duvidas como: será que os fatos e situações ocorridos em nossas vidas têm algum objetivo ou eles apenas acontecem? Será que as coincidências existem ou não? Ou como define o personagem, "A vida é algo sem sentido, um absurdo".
O filme é dirigido por Sebastián Borensztein, que até então não conhecia, e que conseguiu bater recordes de exibição no seu país de origem, ganhando o título de filme Argentino do ano.
Pra quem quiser assistir e conhecer mais comédias dramáticas com o Darin, recomendo muito o Nove Rainhas, que pra mim é o melhor e também O Filho da Noiva. =)
É incrível como até fazendo um papel de um rabugento, metódico e chato, Ricardo Darin consegue ser tão carismático.
O mala em questão é Roberto, um veterano de guerra que vive solitário, tem uma loja de ferragens, do tipo que conta os pregos da caixa e que coleciona manias, e que por um acaso do destino é obrigado a conviver com um chinês, Jun, que não fala uma palavra de espanhol e vem quebrar a rotina do protagonista.
Bom, até aqui nada de mais, só que a genialidade do filme é extrair uma trama complexa, divertida e fazer com que criemos uma grande conexão com os personagens, a partir de uma idéia tão simples, coisa que o cinema argentino consegue fazer muito bem. Duvidas como: será que os fatos e situações ocorridos em nossas vidas têm algum objetivo ou eles apenas acontecem? Será que as coincidências existem ou não? Ou como define o personagem, "A vida é algo sem sentido, um absurdo".
O filme é dirigido por Sebastián Borensztein, que até então não conhecia, e que conseguiu bater recordes de exibição no seu país de origem, ganhando o título de filme Argentino do ano.
Pra quem quiser assistir e conhecer mais comédias dramáticas com o Darin, recomendo muito o Nove Rainhas, que pra mim é o melhor e também O Filho da Noiva. =)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Carne Fresca, Procura-se (De Grønne Slagtere) 2003
Svend ‘Suor’ e Bjarne são dois amigos que trabalham num açougue local e ficam de saco cheio de seu antigo patrão, assim resolvem abrir um negócio próprio afim de terem mais liberdade. Apesar de Svend ser ambicioso, ele tem complexo de inferioridade, tem problemas com a mulher e suor exagerado. Bjarne por causa de um trauma do passado é indiferente a quase tudo e não se interessa por muita coisa. Porem as coisas não andam bem no recem aberto açougue, até que por um acidente, descobrem de uma maneira macabra de como melhorar os negócios, mas as coisas vão fugindo do controle e ficando cada vez mais tensas.Filme dinamarquês, do diretor Anders Thomas Jensen, com muito humor negro, bizarro e situações inesperadas, mas que nem por isso chega a ser de mau gosto. Os personagens apesar de cruéis e frios são estranhamente carismáticos. A tradução do título, De grønne slagtere, é algo como Os açougueiros verdes, cor essa que é predominante na fotografia do filme, uma referencia a ganancia.
o filme faturou diversos premios em festivais como Fantasporto, Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas, Festival de Cinema Fantástico de Amsterdã, dentre outros.
Enfim, uma ótima comédia mórbida e divertida.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Cadillac Records (Cadillac Records) 2009
Agora vai aqui um ótimo filme, principalmente para quem gosta de música. A trama principal gira em torno da Chess Records, uma pequena gravadora de Chicago durante os anos 50 e 60 especializada em Rithm & Blues e que foi responsável por lançar grandes nomes da música como Muddy Waters, Little Walter, Howlin' Wolf, Willie Dixon, Etta James, Chuck Berry.Leonard Chess, um imigrante polonês branco monta um bar, e dá oportunidades aos negros de se apresentarem em seu bar, em uma época com grande segregação racial. Em pouco tempo monta sua gravadora, que rapidamente cresce muito, atendendo a um mercado que outras gravadoras até então não queria, talvez por racismo e tambem por moralismo, uma vez que as letras tinham uma forte carga erótica. Chess, que é interpretado por Adrien Brody (O pianista), vai conduzindo os negocios e enriquessendo as custas de seus artistas, porem ao mesmo tempo mostra-se um bom amigo, havendo envolvimento emocional com seus talentos. Fica a dúvida no ar, se Chess seria um explorador ou alguem que dava oportunidade a quem na época não teria.
O filme é escrito e dirigido por Darnell Martin, afro-americada do Bronx . Já dirigiu alguns espisodios de seriados como Plantão Médico e Lei e Ordem, e tambem o filme "Aos olhos de Deus". Darnell escalou um bom elenco, principalmente de musicos como Beyonce no papel de Etta James e Mos Def interpretando Chuck Berry, pra não falar na ótima trilha sonora.
Sonhos Roubados (Sonhos Roubados) 2009
Há meses que não escrevo, e da um aperto no coração pensar que o blog está agora largado as traças.Vou tentar agora falar de todos os filmes que assistir começando com um filme que assisti ontem, Sonhos Roubados, da carioca Sandra Werneck. O filme volta com o assunto tratado no documentário Meninas, que Sandra dirigiu em 2006, documentário esse acompanha a vida de quatro garotas adolescentes que moram na periferia e engravidam. A partir dai vamos acompanhando as relações com a família, namorados, maternidade e uma nova vida que são forçadas a viverem, abandonando bruscamente a infância/ adolescencia e lidando com a maternidade.
Agora a diretora questiona o assunto na ficção, baseando-se no livro "As meninas da Esquina", de Eliane Trindade e utilizando uma favela carioca como fundo, conhecemos a vida de 3 amigas durante 1 ano. Jéssica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias), cada uma delas com seus problemas e sonhos.
O filme trata de assuntos como abuso sexual, gravidez precoce, prostituição dentre outros temas fortes, porem não faz isso de forma exagerada, como disse a diretora: "Sonhos Roubados trata do ser humano. Meu cinema se interessa pelas relações interpessoais. Essas meninas estão por aí, são a nova geração de brasileiras".
O filme foi exibido no festival do Rio ano passado (2009), e saiu de la com o prêmio do Juri popular, premiando Nanda Costa como melhor atriz.
Apesar da favela estar sendo um cenário comum retratado em vários filmes anteriores, Sonhos Roubados se diferencia por podemos ver um olhar diferente até então, que é do universo feminino sobre a realidade do nosso Brasil.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Eu Sou um Cyborg, Mas Tudo Bem. (Saibogujiman kwenchana) 2006
A Coreia está me surpreendendo com ótimos filmes que ando assistindo ultimamente, principalmente graças aos diretores Park Chan-Wook e Ki-duk Kim. E falando em Park Chan-Wook, diretor da ótima trilogia da vingança (Mr. Vingança, OldBoy e Lady Vingança), foi ele também que dirigiu e escreveu o roteiro de Eu Sou um Cyborg, Mas Tudo Bem. No filme, nada de vingança como é costume do diretor e sim uma bela história, original, bem humorada e com um pouco de humor negro que se passa em torno de Cha Young-goon, que é hospitalizada em uma clínica psiquiátrica por acreditar ser um ciborgue (Ser que é dotado de partes orgânicas e mecânicas). Alem de Cha Young-goon, também conhecemos vários personagens que têm interlocutores imaginários com doenças que se pode observar, são frutos de algum trauma. Percebemos diversas cenas que intercalam entre o real e o imaginário. O diretor soube trabalhar bem a imaginação dos personagens com cenas poéticas e cheia de cores que embarcam na fantasia. O elenco também foi muito bem escolhido e destaque para a ótima narrativa, bem no estilo de OldBoy. Park Chan-Wook também está com filme novo na área, Sede de Sangue (Bakjwi), mas que fica pra um outro post.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O Silencio do Lago (Spoorloos) 1988
Uns dias atrás por casualidade li uma lista com 10 filmes indicados pelo pesquisador Steven Jay Schneider, autor do livro 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer. Uma espécie de super resumo do livro, uma lista comum e pessoal até então. Porem um filme me chamou muito a atenção, porque ao ler a sinopse vi que conhecia a história, havia assistido um filme semelhante há muitos anos de madrugada. Mas aquele não era o filme que conhecia. Pesquisando sobre o filme, O Silencio do Lago, vi que havia duas versões. Uma refilmagem de 93 (The Vanishing) que era a que eu havia visto, e a versão original (Spoorloos) filme franco-holandês de 1988 ambos do mesmo diretor George Sluizer. A história gira em torno de um casal que sai de férias, Rex (Gene Bervoets) e sua namorada Saskia (Johanna ter Steege). Durante e viagem Saskia misteriosamente desaparece e Rex passa a procurá-la por anos. Porem o filme não cai no clichê de focar na busca do criminoso e descobrir sua identidade. O telespectador já conhece o criminoso logo de início e fica em uma posição incomum por saber mais que o personagem e assim o filme cria uma empatia entre quem assiste e o personagem Rex. Ao mesmo tempo vamos descobrindo mais sobre o personagem criminoso, o sociopata Raymond, com cenas que vão voltando e avançando no tempo. Enquanto isso a angustia de quem assiste ao filme só vai aumentando. Afinal, o que houve com Saskia?
A versão de 93 conta com Sandra Bullock e Kiefer Sutherland (Jack Bauer do seriado 24 horas) interpretando o casal, e o criminoso é interpretado por Jeff Bridges (O Grande Lebowski).
Mas se querem uma boa dica, fiquem com o Original. Um thriller psicológico original, perturbador, angustiante e cruel.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Deixe ela entrar (Låt den Rätte Komma In) 2008
Certo... Nos últimos tempos, filmes de vampirismo se tornaram batidos e clichês. E piora ainda mais com a nova onda de Twilight ou True Blood. Esqueça tudo isso... Em 2004 foi lançado o livro Deixe ela entrar, e 4 anos depois vira filme pelas mãos do Sueco Tomas Alfredson. A história se passa num subúrbio de Estolcomo, década de 80. O filme apresenta o garoto Oskar, sem amigos, que sempre apanha na escola, e sua nova vizinha Eli, de 200 anos, mas que aparenta ter 12. O filme mostra vários dramas da adolescência com os dois personagens e o deslocamento que ambos vivem. Também estão presentes todos os elementos de vampirismo. Eli tem 200 anos, não suporta sol e só entra quando convidada (de onde vem o nome do filme). Mas lembrem se que estamos falando de um filme de terror, então esqueça a água com açúcar de Twilight e cia. Prepare se para cenas mais chocantes e violentas com muito sangue que agradarão a fãs do gênero. Porem não há aqui a pretensão de inovar o gênero ou mudar os elementos que já conhecemos e sim contar uma história de terror bem sutil, no qual em diversos momentos até esquecemos se tratar de um filme de vampiro. E como não podia ser diferente, os estadunidenses já estão de olho em uma nova versão a cargo do diretor Matt Reeves. Porque assistir ao filme? Deixe ela Entrar ganhou mais de 50 prêmios internacionais e olha que se trata de filme de terror, de vampiros e da Suécia. =)
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Abraços Partidos (Abrazos Rotos) 2009
Abraços partidos é um filme que poderia se tornar algo meio galhofa não estivesse nas mãos de Almodóvar. Porem ao seu comando a mais confusa das histórias, sempre acompanhada de melodrama e humor, não apenas vai se encaixando e fazendo sentido como também consegue tocar o fundo da alma.O filme, mistura de gênero noir e o melodrama lembrando Hitchcock, se passam em torno do escritor Mateo Blanco, que faz uma narrativa contando sobre sua carreira, quando adotou o pseudônimo de Harry Caine, um escritor cego.
Assim como em outros filmes, temos presente uma metalinguagem aqui. Um filme dentro do filme, nesse caso Garotas e Malas filme do personagem Mateo Blanco, típica comédia melodrama com cenas que lembram Mulheres a beira de um ataque de nervos (1988), também do diretor. Ai que entra Penélope Cruz, que interpreta Lena, a atriz principal do filme Garotas e Malas. Mais uma vez no tipo de mulher sensual que enlouquece os homens. Penélope esbanja sensualidade, estando cada dia mais linda. E segundo o próprio diretor "Meu filme deve muito aos atores. Não apenas Penélope. Blanca (Portillo), Carmen (Machi), Lluis (Homar). Se alcancei alguma coisa em Abraços Partidos, foi por causa deles."
Pra quem acompanha a filmografia de Almodóvar vai perceber uma virada ao assistir Abraços Partidos, pois se até agora seus filmes eram focados no universo feminino e na figura da mulher, nesse filme está presente o universo masculino ao focar na vida de Mateo Blanco e sua dupla personalidade, uma do presente e outra do passado em uma trama de paixões violentas, traição, chantagens e ciúme.
Apesar de nos últimos anos Almodóvar ter feito grande sucesso nos últimos festivais de Cannes, o diretor chegou com muito favoritismo no festival, porem o filme passou despercebido pelos críticos, não levando dessa vez nenhum premio. Mas que não tira o mérito do filme, realmente Abraços partidos é um bom filme e vale a pena ser visto.
sábado, 8 de agosto de 2009
Sem Saída (Eden Lake) 2008
Nos últimos dias andei fazendo uma maratona de bons filmes de terror, o que é difícil, pois ao pesquisar no imdb a grande maioria dos filmes desse gênero não ultrapassam 5 nas notas. Nisso descobri e me interessei por Eden Lake, do diretor inglês James Watkins. O filme é uma produção independente que consegue dar uma renovada no gênero 'Survivor Horror' e nisso os ingleses têm se saído bem. O filme gira em torno do casal de namorados Steve (Interpretado por Michael Fassbender que inclusive está presente no novo filme de Tarantino Inglourious Basterds ) e Jenny (Que ficou por conta de Kelly Reilly, não muito conhecida mas de uma beleza surreal). Bem, o filme segue uma linha como outros do gênero, começando com uma atmosfera descontraída e serena pra depois tornar-se um ambiente de desespero e sombrio. Já de início vemos o casal que sai em viagem com destino a um lago paradisíaco dentro de uma reserva e começam a ser importunados por um grupo de jovens liderados por um bully, (que na verdade trata-se de uma figura, que intimida o grupo incapaz de se defender, levando-o a cometer atos de violência, e agressão a seu comando. A quem interessar, Larry Clark dirigiu um filme em 2001, Bully - Estranhas Amizades que trata desse tema). Voltando ao filme em questão, a personalidade desprezível dos adolescentes é talvez justificada como podemos ver, pela meio em que vivem. Um meio machista, pequeno e que as crianças são agredidas, isso faz com que a noção da criminalidade seja perdida. Os adolescentes perdem a real percepção dos limites do certo e errado.O roteiro do filme é semelhante ao francês Ils (Eles) de 2006 filmado na Romênia, um filme simples, direto, original e assustador em que um casal é aterrorizado por um grupo de crianças e adolescentes. Porem nas diferenças, Ils já começa com uma cena de suspense sem o ambiente descontraído inicial de Eden Lake, outra diferença é que Eden Lake é bem mais sangrento, com cenas gore extremas, já Ils temos um clima mais muito tenso e assustador sem aquele sangue todo.
Continuando na trama o personagem Steve resolve tomar providencias para resolver a situação e ai a coisa começa a desandar, e entra a segunda parte do filme já com o ambiente sombrio, fugas, medos e muito gore indo por fim a um caminho polêmico. Como Eden Lake se mostra uma fórmula de sucesso em filme de terror, há chances de ser re-filmado em uma versão estadunidense, assim como REC.
Vez ou outra, somos surpreendidos com novas e boas idéias que dão uma renovada nos filmes de terror, outro ponto positivo aqui fica por conta do cinema britânico que tem contribuído com ótimos títulos ultimamente, o resultado vale a pena conferir e se possível assistam também Ils.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Donnie Darko (Donnie Darko) 2001 - S. Darko (S. Darko ) 2009
Bem.. Vai aqui um post incomum que eu escrevi há quase dois meses e não postei. Mas porque incomum? Bem.. antes de assistir S. Darko eu já tinha pensado em escrever sobre, assisti e vi que a vontade de escrever sobre o filme ainda persistia, porem talvez por causa da grande expectativa achei o filme um tanto quanto vazio.. Então pra salvar esse post, que tal um post duplo.. Vamos lá...
Assisti essa continuação de um dos melhores filmes que já vi até hoje. E como não poderia ser diferente. A continuação típica de filme que pega carona num sucesso cult anterior... Bem.. É péssima...
O filme anterior em questão é Donnie Darko, filme de 2001 do diretor estreante Richard Kelly. Já a pífia continuação trata-se de S. Darko de 2009.
No primeiro filme a trama se passa em meados dos anos 80 e Jake Gyllenhaal (Zodíaco) interpreta um jovem triste, excêntrico e revoltado com a sociedade, chamado Donnie Darko. Varias visões começam a pertuba-lo, até que uma delas sugere que o mundo irá acabar em cerca de um mês. A dúvida que nos persegue é: Um jovem com problemas de esquizofrenia ou realmente visões?
Enquanto o filme vai se desenrolando em meio a suspenses, dramas, ficção científica e pitadas de humor. Vamos sendo bombardeados com grande quantidade de informações e reviravoltas com um final surpreendente. Claro que se torna um filme um pouco complexo, mas que não fica entediante em momento algum.
O filme se tornou um ícone cult e conta ainda com participação de Drew Barrymore (linda) e também Patrick Swayze interpretando um tal de Jim Cunningham, picareta e chato de marca maior.
Então, depois disso tudo, pra pegar carona nessa história (ou então estava de saco cheio de escrever episódio de Cold Case) o diretor Chris Fisher dirige a continuação, filme chamado S. Darko, referencia a irmão de Donnie, Samantha Darko, que agora é quem tem as visões malucas 7 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Daveigh Chase interpreta Samantha assim como interpretou também em Donnie Darko.O filme tenta repetir a fórmula com suspense psicológico e fantasias bizarras com um coelho mais bizarro ainda, mas que não convence. Os elementos do filme anterior são misturados de forma aleatória e confusa. O único ponto positivo é a pouca quantidade de roupa das personagens femininas, o que talvez faça o público masculino se prender até o final. E se você acha que tá ruim, rumores dizem que a 20th Century Fox anunciou que já está trabalhando no terceiro filme da série e que Richard Kelly estaria envolvido. Se isso é bom ou ruim? Bem.. vamos esperar né.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Eterno Amor (Un Long Dimanche de Fiançailles) 2004
Quando assisti Amelie Poulain, fiquei afim de conhecer mais trabalhos do diretor Jean-Pierre Jeunet. Porque a fórmúla do filme deu muito certo.Principalmente pelas cenas comicas do filme, a ótima trilha sonora de Yann Tierse (que vemos de novo em Adeus Lenin),
e também a fotografia com a predominância de verde e vermelho, como se a personagem enxergasse assim. Sei que gostei e procurei mais... E encontrei o filme Delicatessem, lançado 10 anos antes, uma comédia de humor negro sobre um futuro em que a comida se torna escassa. Temos um açougue em que quando a carne acaba, rapidinho algum morador desaparece e o açougue volta a ter carne. Meio estranho né?
Não é um filme que agrade a todos como Amelie, mesmo porque é um pouco bizarro com toques de terror e temas incomuns como canibalismo. Há tambem a fantasia e realidade misturados lembrando filmes de Tim Burton. Vemos aqui Dominique Pinon no papel principal, cara ja conhecida de Amelie.
Querendo conhecer mais de Jean-Pierre, peguei para assistir "Un Long Dimanche de Fiançailles", com a pífia tradução aqui no Brasil de Eterno Amor. Podem me chamar de preconceituso, mas é um nome muito genérico e não fosse pelo diretor eu não assistiria um filme com esse nome. Em Portugal o título ficou com a tradução do título original: Um Longo Domingo de Noivado.
Enfim, encontramos aqui Audrey Tautou de novo, não tão bela, no papel de Mathilde. Diferente de Amelie onde o papel era perfeito, nesse filme não achei que se encaixasse tanto.
Mathilde é uma jovem que aguarda noticias de noivo que foi pra mais cruel de todas as guerras. O filme se passa no contexto da primeira guerra mundial e Mathilde fica sabendo que seu noivo fez parte de um grupo de soldados que se auto-mutilam com a intenção de voltar pra casa. Eles são condenados a morte e a partir dai a personagem começa uma busca de provas de que seu noivo está vivo. O filme apresenta cenas com cores saturadas ao extremo, caracteristico dos filmes de Jeunet , seja o tom acinzentado das cenas da guerra ou o amarelo nas cenas em que aparece Mathilde. O visual é muito bom, rendendo uma indicação ao oscar de melhor fotografia, provando que não só hollywood pode retratar cenas com tanto realismo, como as cenas da trincheira. O filme foi desqualificado do festival de Cannes, onde competia uma das vagas francesas na mostra competitiva, por causa da participação da Warner Bros na produção do filme. Há quem diga que o filme imita Cold Montain por tratar de um amor mágico e quase impossivel separado por uma guerra. Não vi Cold Montain, mas fica ai a sugestão de "Un Long Dimanche de Fiançaille", principalmente pra quem gosta do estilo de filmes de Jeunet.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro No Kamikakushi) 2001
Quando alguem fala em animação japonesa logo pensamos na imensa quantidade de animês que invatiu a tv nos ultimos tempos. Criamos um preconteito por causa dos 'Pokemons' da vida.Porém, A Viagem de Chihiro em quase nada tem a ver com essas animações e tambem não cai no clichê das animações mais recentes, da Disney por exemplo. O filme me fez lembrar muito Alice no Pais das Maravilhas de Lewis Carroll. Assim como Alice, Chihiro, a garotinha se vê transportada para um mundo surreal e mágico, tentando sempre preservar o senso de real que carrega. Porem ao invés de um buraco, Chihiro se perde em um parque abandonado e acaba encontrando uma espécie de casa de banho para espiritos, tendo que entrar em uma jornada para salvar os pais transformados em porcos por um feitiço. Há ainda outras semelhanças com a obra de Carroll como uma mulher vilã muito semelhante a Rainha de Copas que tem as regras desafiadas pela personagem, um ajudante no mundo mágico, como o gato de Cheshire e o mais interessante, A necessidade de manter um vínculo com o mundo real, a fim de não se perder. Alice tinha que fazer testes mémoria sobre coisas aprendidas na escola constantemente para não se esquecer do seu mundo.
No mundo surreal encontrado pela personagem, podemos perceber críticas a ganancia e ao materialismo e também como as pessoas amadurecem ao passar por uma fase difícil. Chihiro tem que trabalhar duro e vai passando de uma garotinha mimada (e chata) para uma garota com um propósito e uma identidade própria.
É uma animação mais indicada para o público adulto, não que tenha violência ou cenas impróprias e as crianças em um primeiro momento podem achar legal, mas a trama é meio complexa.
A qualidade da animação é outro ponto forte do filme, que nunca vi em outras animações. Tem uma riqueza de detalhes muito grande e foi feito quase todo sem tecnologias digitais. Muitos dos personagens é baseado em elementos da mitologia japonesa e que dão um toque assustador e sombrio ao filme.
Foi a primeira animação a ganhar o Urso de Ouro, o maior Festival de Cinema de Berlim. Faturou tambem o Oscar de melhor animação em 2003.
São pouco mais de suas horas de filme, mas que em nenhum momento se torna chato. Podem assistir. =)
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
11:14 (11:14 - ElevenFourteen) - 2003 - EUA
É incrível como alguns filmes conseguem ser tão interessantes, bons e ficar quase no anonimato, no caso de 11:14 uma das causas pode ser que o filme foi lançado diretamente em video aqui no Brasil.Temos aqui um gênero que não costumamos ver muito, trata-se de uma comédia dramática.
11:14 mostra uma série de eventos que convergem e acontecem inesperadamente às 11:14 da noite, na pequena cidade de Middleton. Em seqüências inesperadas, as vidas de alguns moradores da cidade vão se envolvendo em cinco histórias diferentes com um final comum. As coisas não param de acontecer fora do planejado pelos personagens, com vários acidentes ocorrendo e jogando areia nos seus esquemas.
O Diretor consegue intercalar cenas drámaticas e outras bem comicas, mostrando o quanto as pessoas podem ser loucas, infelizes ou com um imenso vazio dentro delas e o que essas pessoas são capazes para salvar sua pele ou de quem amam. Uma grande fábula moral que mostra que nada de bom pode vir de atitudes erradas. E quando você perceber que o filme está completamente sem sentido, o quebra cabeça começa a encaixar e a partir dai a sensação de que tudo começa a fazer sentido é incrível. =)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O Homem Elefante (The Elephant Man) - 1980
Nada melhor que marcar um encontro em frente uma livraria, principalmente se a pessoa que está esperando atrasa. Em um ilustre dia como esse, ao esperar resolvi folhear alguns livros e encontrei um sobre Jack, o Estripador que não vou me lembrar o título, ainda mais porque existem mais de 200 livros sobre ele.... E nesse livro tinha uma foto de John Merrick como suspeito de ser Jack, o Estripador. Mas espere, quem diabos é John Merrick? Esclarecendo, John Merrick foi um cidadão inglês nascido em 1862 que era portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, tendo 90% do seu corpo deformado.
Perai, mas esse é um blog de filmes? Sim, vamos lá, com isso lembrei de um grande filme que tinha que assistir e estava guardado há tempos baseado na história de John Merrick, vulgarmente chamado de O Homem Elefante, cujo filme tem o mesmo nome.
O Homem Elefante é um filme de 1980, do grande diretor David Lynch, diretor também de Cidade dos Sonhos, outra grande obra. Apesar de ser um filme teoricamente recente, ele foi filmado em preto e branco com uma ótima fotografia. Destaque para Anthony Hopkins, que pra quem acustumou com o cruel personagem Hannibal Lecter, aqui vai ver um médico que faz o papel do Dr Treves, um médico solidário e que se torna o melhor amigo de John Merrick. John Hurt fez o papel do Homem Elefante, e sua maquiagem demorava 12 horas pra ser feita antes de cada filmagem. O filme mostra como o homem pode ser transformar em monstro e como um monstro pode se mostrar um ser mais nobre que o próprio homem. E como o próprio diretor David Lynch disse: "Se a Humanidade pudesse fazer um exame de consciência em pouco mais de duas horas , poderia se limitar a rever o Homem-Elefante"
Até mais pessoal.
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