segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cadillac Records (Cadillac Records) 2009

Agora vai aqui um ótimo filme, principalmente para quem gosta de música. A trama principal gira em torno da Chess Records, uma pequena gravadora de Chicago durante os anos 50 e 60 especializada em Rithm & Blues e que foi responsável por lançar grandes nomes da música como Muddy Waters, Little Walter, Howlin' Wolf, Willie Dixon, Etta James, Chuck Berry.
Leonard Chess, um imigrante polonês branco monta um bar, e dá oportunidades aos negros de se apresentarem em seu bar, em uma época com grande segregação racial. Em pouco tempo monta sua gravadora, que rapidamente cresce muito, atendendo a um mercado que outras gravadoras até então não queria, talvez por racismo e tambem por moralismo, uma vez que as letras tinham uma forte carga erótica. Chess, que é interpretado por Adrien Brody (O pianista), vai conduzindo os negocios e enriquessendo as custas de seus artistas, porem ao mesmo tempo mostra-se um bom amigo, havendo envolvimento emocional com seus talentos. Fica a dúvida no ar, se Chess seria um explorador ou alguem que dava oportunidade a quem na época não teria.
O filme é escrito e dirigido por Darnell Martin, afro-americada do Bronx . Já dirigiu alguns espisodios de seriados como Plantão Médico e Lei e Ordem, e tambem o filme "Aos olhos de Deus". Darnell escalou um bom elenco, principalmente de musicos como Beyonce no papel de Etta James e Mos Def interpretando Chuck Berry, pra não falar na ótima trilha sonora.

Sonhos Roubados (Sonhos Roubados) 2009

Há meses que não escrevo, e da um aperto no coração pensar que o blog está agora largado as traças.
Vou tentar agora falar de todos os filmes que assistir começando com um filme que assisti ontem, Sonhos Roubados, da carioca Sandra Werneck. O filme volta com o assunto tratado no documentário Meninas, que Sandra dirigiu em 2006, documentário esse acompanha a vida de quatro garotas adolescentes que moram na periferia e engravidam. A partir dai vamos acompanhando as relações com a família, namorados, maternidade e uma nova vida que são forçadas a viverem, abandonando bruscamente a infância/ adolescencia e lidando com a maternidade.
Agora a diretora questiona o assunto na ficção, baseando-se no livro "As meninas da Esquina", de Eliane Trindade e utilizando uma favela carioca como fundo, conhecemos a vida de 3 amigas durante 1 ano. Jéssica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias), cada uma delas com seus problemas e sonhos.
O filme trata de assuntos como abuso sexual, gravidez precoce, prostituição dentre outros temas fortes, porem não faz isso de forma exagerada, como disse a diretora: "Sonhos Roubados trata do ser humano. Meu cinema se interessa pelas relações interpessoais. Essas meninas estão por aí, são a nova geração de brasileiras".
O filme foi exibido no festival do Rio ano passado (2009), e saiu de la com o prêmio do Juri popular, premiando Nanda Costa como melhor atriz.
Apesar da favela estar sendo um cenário comum retratado em vários filmes anteriores, Sonhos Roubados se diferencia por podemos ver um olhar diferente até então, que é do universo feminino sobre a realidade do nosso Brasil.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Eu Sou um Cyborg, Mas Tudo Bem. (Saibogujiman kwenchana) 2006

A Coreia está me surpreendendo com ótimos filmes que ando assistindo ultimamente, principalmente graças aos diretores Park Chan-Wook e Ki-duk Kim. E falando em Park Chan-Wook, diretor da ótima trilogia da vingança (Mr. Vingança, OldBoy e Lady Vingança), foi ele também que dirigiu e escreveu o roteiro de Eu Sou um Cyborg, Mas Tudo Bem. No filme, nada de vingança como é costume do diretor e sim uma bela história, original, bem humorada e com um pouco de humor negro que se passa em torno de Cha Young-goon, que é hospitalizada em uma clínica psiquiátrica por acreditar ser um ciborgue (Ser que é dotado de partes orgânicas e mecânicas). Alem de Cha Young-goon, também conhecemos vários personagens que têm interlocutores imaginários com doenças que se pode observar, são frutos de algum trauma. Percebemos diversas cenas que intercalam entre o real e o imaginário. O diretor soube trabalhar bem a imaginação dos personagens com cenas poéticas e cheia de cores que embarcam na fantasia. O elenco também foi muito bem escolhido e destaque para a ótima narrativa, bem no estilo de OldBoy. Park Chan-Wook também está com filme novo na área, Sede de Sangue (Bakjwi), mas que fica pra um outro post.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Silencio do Lago (Spoorloos) 1988

Uns dias atrás por casualidade li uma lista com 10 filmes indicados pelo pesquisador Steven Jay Schneider, autor do livro 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer. Uma espécie de super resumo do livro, uma lista comum e pessoal até então. Porem um filme me chamou muito a atenção, porque ao ler a sinopse vi que conhecia a história, havia assistido um filme semelhante há muitos anos de madrugada. Mas aquele não era o filme que conhecia. Pesquisando sobre o filme, O Silencio do Lago, vi que havia duas versões. Uma refilmagem de 93 (The Vanishing) que era a que eu havia visto, e a versão original (Spoorloos) filme franco-holandês de 1988 ambos do mesmo diretor George Sluizer. A história gira em torno de um casal que sai de férias, Rex (Gene Bervoets) e sua namorada Saskia (Johanna ter Steege). Durante e viagem Saskia misteriosamente desaparece e Rex passa a procurá-la por anos. Porem o filme não cai no clichê de focar na busca do criminoso e descobrir sua identidade. O telespectador já conhece o criminoso logo de início e fica em uma posição incomum por saber mais que o personagem e assim o filme cria uma empatia entre quem assiste e o personagem Rex. Ao mesmo tempo vamos descobrindo mais sobre o personagem criminoso, o sociopata Raymond, com cenas que vão voltando e avançando no tempo. Enquanto isso a angustia de quem assiste ao filme só vai aumentando. Afinal, o que houve com Saskia?
A versão de 93 conta com Sandra Bullock e Kiefer Sutherland (Jack Bauer do seriado 24 horas) interpretando o casal, e o criminoso é interpretado por Jeff Bridges (O Grande Lebowski).
Mas se querem uma boa dica, fiquem com o Original. Um thriller psicológico original, perturbador, angustiante e cruel.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Deixe ela entrar (Låt den Rätte Komma In) 2008

Certo... Nos últimos tempos, filmes de vampirismo se tornaram batidos e clichês. E piora ainda mais com a nova onda de Twilight ou True Blood. Esqueça tudo isso... Em 2004 foi lançado o livro Deixe ela entrar, e 4 anos depois vira filme pelas mãos do Sueco Tomas Alfredson. A história se passa num subúrbio de Estolcomo, década de 80. O filme apresenta o garoto Oskar, sem amigos, que sempre apanha na escola, e sua nova vizinha Eli, de 200 anos, mas que aparenta ter 12. O filme mostra vários dramas da adolescência com os dois personagens e o deslocamento que ambos vivem. Também estão presentes todos os elementos de vampirismo. Eli tem 200 anos, não suporta sol e só entra quando convidada (de onde vem o nome do filme). Mas lembrem se que estamos falando de um filme de terror, então esqueça a água com açúcar de Twilight e cia. Prepare se para cenas mais chocantes e violentas com muito sangue que agradarão a fãs do gênero. Porem não há aqui a pretensão de inovar o gênero ou mudar os elementos que já conhecemos e sim contar uma história de terror bem sutil, no qual em diversos momentos até esquecemos se tratar de um filme de vampiro. E como não podia ser diferente, os estadunidenses já estão de olho em uma nova versão a cargo do diretor Matt Reeves. Porque assistir ao filme? Deixe ela Entrar ganhou mais de 50 prêmios internacionais e olha que se trata de filme de terror, de vampiros e da Suécia. =)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Abraços Partidos (Abrazos Rotos) 2009

Abraços partidos é um filme que poderia se tornar algo meio galhofa não estivesse nas mãos de Almodóvar. Porem ao seu comando a mais confusa das histórias, sempre acompanhada de melodrama e humor, não apenas vai se encaixando e fazendo sentido como também consegue tocar o fundo da alma.
O filme, mistura de gênero noir e o melodrama lembrando Hitchcock, se passam em torno do escritor Mateo Blanco, que faz uma narrativa contando sobre sua carreira, quando adotou o pseudônimo de Harry Caine, um escritor cego.
Assim como em outros filmes, temos presente uma metalinguagem aqui. Um filme dentro do filme, nesse caso Garotas e Malas filme do personagem Mateo Blanco, típica comédia melodrama com cenas que lembram Mulheres a beira de um ataque de nervos (1988), também do diretor. Ai que entra Penélope Cruz, que interpreta Lena, a atriz principal do filme Garotas e Malas. Mais uma vez no tipo de mulher sensual que enlouquece os homens. Penélope esbanja sensualidade, estando cada dia mais linda. E segundo o próprio diretor "Meu filme deve muito aos atores. Não apenas Penélope. Blanca (Portillo), Carmen (Machi), Lluis (Homar). Se alcancei alguma coisa em Abraços Partidos, foi por causa deles."

Pra quem acompanha a filmografia de Almodóvar vai perceber uma virada ao assistir Abraços Partidos, pois se até agora seus filmes eram focados no universo feminino e na figura da mulher, nesse filme está presente o universo masculino ao focar na vida de Mateo Blanco e sua dupla personalidade, uma do presente e outra do passado em uma trama de paixões violentas, traição, chantagens e ciúme.

Apesar de nos últimos anos Almodóvar ter feito grande sucesso nos últimos festivais de Cannes, o diretor chegou com muito favoritismo no festival, porem o filme passou despercebido pelos críticos, não levando dessa vez nenhum premio. Mas que não tira o mérito do filme, realmente Abraços partidos é um bom filme e vale a pena ser visto.

sábado, 8 de agosto de 2009

Sem Saída (Eden Lake) 2008

Nos últimos dias andei fazendo uma maratona de bons filmes de terror, o que é difícil, pois ao pesquisar no imdb a grande maioria dos filmes desse gênero não ultrapassam 5 nas notas. Nisso descobri e me interessei por Eden Lake, do diretor inglês James Watkins. O filme é uma produção independente que consegue dar uma renovada no gênero 'Survivor Horror' e nisso os ingleses têm se saído bem. O filme gira em torno do casal de namorados Steve (Interpretado por Michael Fassbender que inclusive está presente no novo filme de Tarantino Inglourious Basterds ) e Jenny (Que ficou por conta de Kelly Reilly, não muito conhecida mas de uma beleza surreal). Bem, o filme segue uma linha como outros do gênero, começando com uma atmosfera descontraída e serena pra depois tornar-se um ambiente de desespero e sombrio. Já de início vemos o casal que sai em viagem com destino a um lago paradisíaco dentro de uma reserva e começam a ser importunados por um grupo de jovens liderados por um bully, (que na verdade trata-se de uma figura, que intimida o grupo incapaz de se defender, levando-o a cometer atos de violência, e agressão a seu comando. A quem interessar, Larry Clark dirigiu um filme em 2001, Bully - Estranhas Amizades que trata desse tema). Voltando ao filme em questão, a personalidade desprezível dos adolescentes é talvez justificada como podemos ver, pela meio em que vivem. Um meio machista, pequeno e que as crianças são agredidas, isso faz com que a noção da criminalidade seja perdida. Os adolescentes perdem a real percepção dos limites do certo e errado.

O roteiro do filme é semelhante ao francês Ils (Eles) de 2006 filmado na Romênia, um filme simples, direto, original e assustador em que um casal é aterrorizado por um grupo de crianças e adolescentes. Porem nas diferenças, Ils já começa com uma cena de suspense sem o ambiente descontraído inicial de Eden Lake, outra diferença é que Eden Lake é bem mais sangrento, com cenas gore extremas, já Ils temos um clima mais muito tenso e assustador sem aquele sangue todo.
Continuando na trama o personagem Steve resolve tomar providencias para resolver a situação e ai a coisa começa a desandar, e entra a segunda parte do filme já com o ambiente sombrio, fugas, medos e muito gore indo por fim a um caminho polêmico. Como Eden Lake se mostra uma fórmula de sucesso em filme de terror, há chances de ser re-filmado em uma versão estadunidense, assim como REC.

Vez ou outra, somos surpreendidos com novas e boas idéias que dão uma renovada nos filmes de terror, outro ponto positivo aqui fica por conta do cinema britânico que tem contribuído com ótimos títulos ultimamente, o resultado vale a pena conferir e se possível assistam também Ils.