quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eterno Amor (Un Long Dimanche de Fiançailles) 2004

Quando assisti Amelie Poulain, fiquei afim de conhecer mais trabalhos do diretor Jean-Pierre Jeunet. Porque a fórmúla do filme deu muito certo.
Principalmente pelas cenas comicas do filme, a ótima trilha sonora de Yann Tierse (que vemos de novo em Adeus Lenin),
e também a fotografia com a predominância de verde e vermelho, como se a personagem enxergasse assim. Sei que gostei e procurei mais... E encontrei o filme Delicatessem, lançado 10 anos antes, uma comédia de humor negro sobre um futuro em que a comida se torna escassa. Temos um açougue em que quando a carne acaba, rapidinho algum morador desaparece e o açougue volta a ter carne. Meio estranho né?
Não é um filme que agrade a todos como Amelie, mesmo porque é um pouco bizarro com toques de terror e temas incomuns como canibalismo. Há tambem a fantasia e realidade misturados lembrando filmes de Tim Burton. Vemos aqui Dominique Pinon no papel principal, cara ja conhecida de Amelie.
Querendo conhecer mais de Jean-Pierre, peguei para assistir "Un Long Dimanche de Fiançailles", com a pífia tradução aqui no Brasil de Eterno Amor. Podem me chamar de preconceituso, mas é um nome muito genérico e não fosse pelo diretor eu não assistiria um filme com esse nome. Em Portugal o título ficou com a tradução do título original: Um Longo Domingo de Noivado.
Enfim, encontramos aqui Audrey Tautou de novo, não tão bela, no papel de Mathilde. Diferente de Amelie onde o papel era perfeito, nesse filme não achei que se encaixasse tanto.
Mathilde é uma jovem que aguarda noticias de noivo que foi pra mais cruel de todas as guerras. O filme se passa no contexto da primeira guerra mundial e Mathilde fica sabendo que seu noivo fez parte de um grupo de soldados que se auto-mutilam com a intenção de voltar pra casa. Eles são condenados a morte e a partir dai a personagem começa uma busca de provas de que seu noivo está vivo. O filme apresenta cenas com cores saturadas ao extremo, caracteristico dos filmes de Jeunet , seja o tom acinzentado das cenas da guerra ou o amarelo nas cenas em que aparece Mathilde. O visual é muito bom, rendendo uma indicação ao oscar de melhor fotografia, provando que não só hollywood pode retratar cenas com tanto realismo, como as cenas da trincheira. O filme foi desqualificado do festival de Cannes, onde competia uma das vagas francesas na mostra competitiva, por causa da participação da Warner Bros na produção do filme. Há quem diga que o filme imita Cold Montain por tratar de um amor mágico e quase impossivel separado por uma guerra. Não vi Cold Montain, mas fica ai a sugestão de "Un Long Dimanche de Fiançaille", principalmente pra quem gosta do estilo de filmes de Jeunet.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro No Kamikakushi) 2001

Quando alguem fala em animação japonesa logo pensamos na imensa quantidade de animês que invatiu a tv nos ultimos tempos. Criamos um preconteito por causa dos 'Pokemons' da vida.
Porém, A Viagem de Chihiro em quase nada tem a ver com essas animações e tambem não cai no clichê das animações mais recentes, da Disney por exemplo. O filme me fez lembrar muito Alice no Pais das Maravilhas de Lewis Carroll. Assim como Alice, Chihiro, a garotinha se vê transportada para um mundo surreal e mágico, tentando sempre preservar o senso de real que carrega. Porem ao invés de um buraco, Chihiro se perde em um parque abandonado e acaba encontrando uma espécie de casa de banho para espiritos, tendo que entrar em uma jornada para salvar os pais transformados em porcos por um feitiço. Há ainda outras semelhanças com a obra de Carroll como uma mulher vilã muito semelhante a Rainha de Copas que tem as regras desafiadas pela personagem, um ajudante no mundo mágico, como o gato de Cheshire e o mais interessante, A necessidade de manter um vínculo com o mundo real, a fim de não se perder. Alice tinha que fazer testes mémoria sobre coisas aprendidas na escola constantemente para não se esquecer do seu mundo.

No mundo surreal encontrado pela personagem, podemos perceber críticas a ganancia e ao materialismo e também como as pessoas amadurecem ao passar por uma fase difícil. Chihiro tem que trabalhar duro e vai passando de uma garotinha mimada (e chata) para uma garota com um propósito e uma identidade própria.
É uma animação mais indicada para o público adulto, não que tenha violência ou cenas impróprias e as crianças em um primeiro momento podem achar legal, mas a trama é meio complexa.
A qualidade da animação é outro ponto forte do filme, que nunca vi em outras animações. Tem uma riqueza de detalhes muito grande e foi feito quase todo sem tecnologias digitais. Muitos dos personagens é baseado em elementos da mitologia japonesa e que dão um toque assustador e sombrio ao filme.

Foi a primeira animação a ganhar o Urso de Ouro, o maior Festival de Cinema de Berlim. Faturou tambem o Oscar de melhor animação em 2003.
São pouco mais de suas horas de filme, mas que em nenhum momento se torna chato. Podem assistir. =)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

11:14 (11:14 - ElevenFourteen) - 2003 - EUA

É incrível como alguns filmes conseguem ser tão interessantes, bons e ficar quase no anonimato, no caso de 11:14 uma das causas pode ser que o filme foi lançado diretamente em video aqui no Brasil.
Temos aqui um gênero que não costumamos ver muito, trata-se de uma comédia dramática.
11:14 mostra uma série de eventos que convergem e acontecem inesperadamente às 11:14 da noite, na pequena cidade de Middleton. Em seqüências inesperadas, as vidas de alguns moradores da cidade vão se envolvendo em cinco histórias diferentes com um final comum. As coisas não param de acontecer fora do planejado pelos personagens, com vários acidentes ocorrendo e jogando areia nos seus esquemas.
O Diretor consegue intercalar cenas drámaticas e outras bem comicas, mostrando o quanto as pessoas podem ser loucas, infelizes ou com um imenso vazio dentro delas e o que essas pessoas são capazes para salvar sua pele ou de quem amam. Uma grande fábula moral que mostra que nada de bom pode vir de atitudes erradas. E quando você perceber que o filme está completamente sem sentido, o quebra cabeça começa a encaixar e a partir dai a sensação de que tudo começa a fazer sentido é incrível. =)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Homem Elefante (The Elephant Man) - 1980

Nada melhor que marcar um encontro em frente uma livraria, principalmente se a pessoa que está esperando atrasa. Em um ilustre dia como esse, ao esperar resolvi folhear alguns livros e encontrei um sobre Jack, o Estripador que não vou me lembrar o título, ainda mais porque existem mais de 200 livros sobre ele.... E nesse livro tinha uma foto de John Merrick como suspeito de ser Jack, o Estripador. Mas espere, quem diabos é John Merrick?
Esclarecendo, John Merrick foi um cidadão inglês nascido em 1862 que era portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, tendo 90% do seu corpo deformado.
Perai, mas esse é um blog de filmes? Sim, vamos lá, com isso lembrei de um grande filme que tinha que assistir e estava guardado há tempos baseado na história de John Merrick, vulgarmente chamado de O Homem Elefante, cujo filme tem o mesmo nome.
O Homem Elefante é um filme de 1980, do grande diretor David Lynch, diretor também de Cidade dos Sonhos, outra grande obra. Apesar de ser um filme teoricamente recente, ele foi filmado em preto e branco com uma ótima fotografia. Destaque para Anthony Hopkins, que pra quem acustumou com o cruel personagem Hannibal Lecter, aqui vai ver um médico que faz o papel do Dr Treves, um médico solidário e que se torna o melhor amigo de John Merrick. John Hurt fez o papel do Homem Elefante, e sua maquiagem demorava 12 horas pra ser feita antes de cada filmagem. O filme mostra como o homem pode ser transformar em monstro e como um monstro pode se mostrar um ser mais nobre que o próprio homem. E como o próprio diretor David Lynch disse: "Se a Humanidade pudesse fazer um exame de consciência em pouco mais de duas horas , poderia se limitar a rever o Homem-Elefante"
Até mais pessoal.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Zeitgeist - A maior história já contada (The Greatest Story Ever Told) - 2007

Zeitgeist é uma palavra alemã que significa Espirito do Tempo e que varios filosofos atribuem como o avanço cultural e intelectual do mundo em uma determinada época.
Segundo Peter Joseph escritor e diretor do filme, a ideia é fazer com que as pessoas investiguem o mundo de uma pespectiva diferente. O Filme foi produzido sem fins lucrativos e lançado on-line. Zeitgeist encontra-se disponível no site oficial, com opções de legenda em vários idiomas aqui.
Pra quem quiser gravar, encontra se facilmente em sites de torrent. Bom.. enfim, voltando ao filme ele se divide em 3 partes, alem de "A maior história já contada", tem
All The World's A Stage" ("O mundo inteiro é um palco"), focado nos ataques de 11 de setembro, e que os ataques já eram de conhecimento do governo.
E a ultima parte "Don't Mind The Men Behind The Curtain" ("Não se preocupe com os homens atrás da cortina") que foca o sistema bancario mundial.
Porem vamos falar da primeira parte aqui que é a mais interessante. A maior história já contada é sobre a religião. Ja no inicio do filme o narrador consegue te prender no sofá com um dialogo simples, ironico e polemico.:
"O maior campeões de todos os tempos no que diz respeito a falsas promessas e exageros é a Religião.
Pensem um pouco.
A Religião definitivamente convenceu as pessoas que há um homem invisível que mora no céu que vigia tudo o que você faz, todos os minutos do seu dia. E o homem invisível tem uma lista especial de dez coisas que ele não quer que tu faças. E se você fizer quaisquer destas dez coisas, ele tem um lugar especial, cheio de fogo, fumaça, queimaduras, torturas e sofrimento, para o qual vai te mandar para viver, sofrer, arder, sufocar, gritar e chorar para todo o sempre até ao fim da eternidade!
...Mas ele te ama!!! Ele te ama... e precisa de DINHEIRO!
Ele sempre precisa de Dinheiro! Ele é todo-poderoso, sabe tudo e tem tudo, mas de alguma forma... precisa de dinheiro!"

Em seguida o filme vai apresentando fatos que sugerem que jesus e a biblia seja um mito criado a partir de uma mistura literaria e astrológica vindos de civilizações antigas. Referencias entre Deus e o Sol, 12 signos atrologicos e os discipulos, filho de virgem, 25 de dezembro, 3 reis magos e uma serie de referencias, algumas datadas de 3000 A.C., como Horus, deus egipcio do céu que apresenta várias dessas referencias. Em seguida de Horus até Jesus Cristo, apresenta diversas historias semelhantes em muitos povos, com poucas mudanças. Há ainda no filme uma explicação muito bem detalhada de como são contadas as eras e o movimento da terra chamado precessão que dura aproximadamente 25.800 anos e que Platão chamava de 'Grande Ano'.
Bem, assim como Erich von Däniken em 68 criou polêmica ao lançar o livro "Eram Deuses os Astrounautas?", era importante analisar os fatos, questionar e não apenas sair acreditando fielmente no que autor citava. Zeitgeist pode ser semelhante nesse pondo, apesar que eu fiquei realmente surpreendido.


terça-feira, 13 de maio de 2008

Sunshine - Alerta Solar (Sunshine) - 2007


Danny Boyle sempre supreende com seus filmes, porem em um primeiro momento podemos olhar a capa, ler uma sinopse e achar que não passa de mais uma fórmula barata de fazer filmes com assuntos batidos. Engano nosso, sempre reparei em seus filmes um foco muito grande no drama, como se todo o restante do filme fosse apenas um complemento. Começou com o Trilher Cova Rasa de 94, onde vemos um crime entre amigos que desmorona toda a relação, em 96 usou a fórmula Drogas e dependencia pro seu melhor filme, Trainspotting, Sem Limites, Zumbis em 2002 no ótimo 28 days later, filme baseado no livro "Eu sou a lenda"... dentre outros.
Agora Boyle aposta no espaço, em uma viagem para o sol onde os tripulantes de uma nave tem o objetivo de salvar a existencia humana. Há claro uma semelhança com 2001 - Uma Odisséia no espaço de Kubrick e tambem Solares.
Nisso vamos assistindo a tensão dos passageiros, vivendo em um ambiente fechado e mostrando o outro lado de cada pessoa. O estilo meio Danny Boyle mesmo de se fazer filmes, porem de uma forma mais hollywoodiana, nova fase do diretor.
Seja para um fã de Treek, para quem gosta de efeitos especiais ou pra acompanhar mais um filme desse diretor. Vale a pena assistir. Inté mais pessoal

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

9 Canções (9 songs ) 2004

Estando de bobeira em casa e com pouco tempo pra assistir um filme, que tal pegar um filme cujo slogan seja "69 minutos de Sexo e Rock N'Roll"? Tentador hein... Pois eh..
O diretor britanico Michael Winterbottom conhecido por produzir filmes de denúcias como "Caminho para Guantanamo" e "Neste mundo" apostou na formula pop: Sexo, Drogas e Rock N'Roll pra produzir este filme.
Tudo bem que é um tema muito explorado e o filme poderia ser mais um clichê, não fosse pelas cenas de sexo explicito intercaladas com shows de bandas da atualidade.
O contexto é o seguinte: Lisa é uma americana que esta estudando em Londres por um ano, conhece Matt, se apaixonam e a partir dai passamos a acompanhar o intenso relacionamento do casal que se desenvolve atraves do sexo e os shows que eles assistem juntos.
Nos shows estão presentes as 9 canções que da nome ao filme, e curioso é que cada canção tem a ver com o momento que estão passando no relacionamento. Dentre os shows temos: Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, The Dandy Warhols, Primal Scream, Super Furry Animals e Franz Ferdinand.
Apesar da polêmica em torno, não se trata de um filme pornografico. O sexo por sexo, sem paixão e sem conexão se torna pornografia, ja em 9 canções, as cenas alem de transpirarem sexualidade, tambem transpiram a paixão vindo do casal, ou coisa assim...
No entando achei que o filme tem um roteiro meio fraco e falta um pouco de junção das partes, outra coisa é que o filme não parece te passar muita coisa, talves por consequencia do roteiro.
Mas se tratando de um filme curto, aproveitemos as belas cenas de sexo e um ótimo Rock N'Roll. =)